Demorou, mas Anitta encontrou o equilíbrio entre ser artista e empresária
Novo álbum da brasileira marca uma mudança na trajetória de sua carreira.
Lauan Brito
20 de abr. de 2026
Sempre que pode, a Anitta gosta de mencionar a divisão de personas que faz entre seu alter ego famoso e Larissa, quem ela é atrás das câmeras. No entanto, uma separação que a cantora levou anos para fazer foi a entre o lado artístico e o empresarial.
Em 2014, um ano após explodir com “Show das Poderosas”, a carioca passou a gerenciar a própria carreira depois de romper com Kamilla Fialho, que cuidava dessa função até então. Ela seguiu sendo sua própria empresária por cinco anos, quando passou o bastão para um agente norte-americano com o objetivo de conquistar o público internacional, mas nunca conseguiu se desligar totalmente do cargo.
Isso porque, ao descobrir o lado dos negócios, Anitta entendeu o quanto poderia ser lucrativa como produto e quis abraçar tudo em nome do dinheiro e do sucesso. A carreira dela, que vinha sendo consistente até ali, com uma transição gradual do funk para o pop, perdeu o rumo a partir de 2017, quando decidiu alçar voos maiores fora do território brasileiro.
Desse ponto em diante, a artista passou a atirar para todos os lados: cantou em inglês, espanhol, italiano e francês, e explorou os mais diferentes ritmos, do R&B ao reggaeton, do trap à bossa nova.
Seguindo essa estratégia, ela até conseguiu emplacar alguns hits, principalmente colaborações, mas lá fora a Anitta era vista assim como, por muito tempo, enxergávamos a Zara Larsson: uma cantora da qual se conhecia uma música ou outra, mas que não passava de um nome genérico nas paradas.
Em meio à busca desesperada pelo sucesso, a brasileira acabou se esquecendo de construir uma identidade artística. Os álbuns lançados durante essa fase, “Kisses” e “Versions of Me”, são a prova disso. Ambos parecem mais playlists do que discos de fato.
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